desenho de diferentes mulheres
Entenda a diferença entre feminismo e feminilidade
31 de jan de 2022

Entenda a diferença entre feminismo e feminilidade

Kira

Você sabe qual é o significado de feminilidade? Vem saber mais sobre tudo isso

O feminismo é um movimento de luta pela igualdade de gênero. Ele cresce cada vez mais, e é importante entender sobre o mesmo, assim como a diferença entre feminismo e feminilidade.

 

O feminismo está em alta: difícil é não ouvir sobre o assunto em rodas de conversas, posts nas mídias sociais ou até na televisão. A conversa sobre feminismo é ampla e necessária, pois passamos a expor as desigualdades e violências enfrentadas pelas mulheres, começamos a falar sobre mulheres ocupando lugares que antes eram majoritariamente masculinos, e a debater temas que eram considerados “apenas” femininos.

desenho de uma mão com traços que formam o símbolo feminino

 

Mas o que é feminismo?

Resumindo (bastante), feminismo é o movimento que prega a igualdade de gênero, ou seja, uma sociedade em que todas as pessoas, sem importar o gênero, tenham os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, e possam fazer as escolhas que desejarem.

 

Isso significa que se o mundo, hoje, fosse igual para todos, não teríamos diferenças de salário, cargos e de divisão de tarefas, nem áreas profissionais onde quase não há mulheres trabalhando. Também não teríamos tantos estigmas sobre ser mulher, como o casamento, a virgindade, a maternidade e tantas outras "caixinhas" que querem nos colocar sem nem perguntar se queremos antes. Somos livres para escolher o que queremos ser, e é por isso que o feminismo luta.

E feminilidade? Qual é o significado?
A feminilidade é um conceito mais simples que o feminismo. Feminilidade são as características vistas como femininas por uma determinada sociedade. São as qualidades esperadas de uma mulher, e que, na maioria das vezes, foram estabelecidas pelo sistema machista. Muitas das qualidades clássicas da feminilidade são a delicadeza, a fragilidade, a doçura e até a submissão.

Mas ser mulher é muito mais do que um conjunto de características socialmente estabelecidas. Ser mulher é uma construção para a vida toda, como disse a filósofa Simone de Beauvoir no clássico "O Segundo Sexo": "não se nasce mulher, torna-se".

O feminismo e a luta pelos direitos das mulheres

Hoje, parece que muitos direitos existiram desde sempre. Mas você sabia que, no Brasil, as mulheres só foram liberadas para frequentar a escola em 1827? O direito ao voto só foi conquistado em 1934 (dois anos antes, mulheres casadas com autorização dos maridos e as solteiras ou viúvas com renda própria já podiam votar), e até 1962 qualquer mulher que quisesse (ou precisasse) trabalhar, viajar ou abrir conta no banco precisava de autorização do marido. Além disso, só fomos autorizadas a praticar qualquer esporte em 1979!

 

Pois é. Por muitos séculos, na nossa sociedade, fomos tratadas como seres inferiores – que precisavam estar sob "a tutela" de um homem da família, que não mereciam ser educadas (você deve lembrar de alguma tia mais velha, ou mesmo sua avó, que morreu sem saber ler ou escrever) e só podiam trabalhar em casa, ter filhos e cuidar deles durante toda a vida.

 

Hoje em dia, não temos as mesmas dificuldades que nossas mães ou avós, mas ainda assim, sofremos quando queremos priorizar os estudos ou o trabalho, ouvindo que "mulher muito inteligente não arruma marido" ou que "a felicidade só é plena quando se é mãe". São as características que se tornaram clássicas da feminilidade, mas que não correspondem a todas as mulheres. Concorda?

 

Essa "certeza" de que toda mulher tem que querer uma família também está, pouco a pouco, sendo desconstruída pelas conquistas do feminismo. Mas ainda temos muito o que mudar!

 

desenho de uma menina se olhando no espelho e se gostando

 

Feminismo, feminilidade e vaidade

Outro estigma clássico do debate entre feminismo e feminilidade é o da vaidade. Muita gente fala que mulheres vaidosas não são feministas - como se uma coisa tivesse a ver com a outra - ou prega que "mulher de verdade" tem que ser vaidosa. A real é que conhecer o próprio corpo e entender que esses padrões que foram impostos para nós fazem a gente descobrir mais sobre nós mesmas, e isso vale tanto para a embalagem quanto para o conteúdo, sem desmerecer o feminismo ou a nossa feminilidade.

 

“Ah, então quer dizer que, se eu quiser, posso usar maquiagem todos os dias, estar sempre com as unhas feitas e o cabelo escovado, ir à academia, caprichar no lookinho e ainda assim lutar pelo feminismo?”. Se você quiser, sim. E se não quiser ser vaidosa tá tudo certo também. Ter esse poder de escolha é algo extremamente feminista. O importante é você entender que as suas escolhas são para você, e não para as outras pessoas. Isso vai da decisão de se depilar (ou não) ou de ter ou não filhos: tudo é uma questão de entender que a pressão que a sociedade (ainda bastante patriarcal) faz não deve definir a maneira como você vive a sua vida.

 

Uma olhada rápida nos filmes mais antigos vai mostrar a “mulher perfeita”, que é bonita, discreta e fica em casa cuidando do filho, esperando o marido chegar do trabalho linda, arrumada e feliz. Com o tempo (e mudanças na própria sociedade), muita gente se revoltou com esse padrão, porque ele simplesmente exclui todas as outras inúmeras possibilidades. Tudo bem se uma mulher quiser ser “bela, recatada e do lar”, o problema é dizer que as mulheres só podem ser assim, ou só têm valor se forem assim.

 

E o que os homens têm a ver com o feminismo?

Com os homens é a mesma coisa. Propor a igualdade e desconstruir os padrões também permite aos homens que demonstrem fragilidade, sejam honestos sobre seus sentimentos e até mesmo não sejam obrigados a sempre dizerem sim para as mulheres sem deixarem de "ser homens". Se um homem não está a fim de transar e diz isso para uma mulher, por exemplo, pode ser visto como "menos homem". Aliás, um dos estigmas masculinos mais famosos é o de que homem não chora, como se demonstrar os sentimentos ou ser vulnerável "cancelaria" a masculinidade.

 

Não! Um homem não deixa de ser homem por ter fraquezas ou sentimentos - isso é ser humano, e enquanto nenhum apocalipse zumbi rolar aqui pela Terra, somos todos assim.
Por isso o feminismo é para todos, e é importante os homens se envolverem nessa luta. O feminismo pode transformar o mundo num lugar muito melhor 😉


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